
(Em função da futura publicação do livro Literatura Mística, pela Editora Biblioteca 24X7, este texto, assim como outros publicados neste blog, estará limitado a apenas uma introdução! Obrigado pelo apoio e incentivo, amigos leitores!!)
"Mais suave que a flor quando se trata de bondade;
mais forte que o trovão quando os princípios estão em jogo"
Definição védica de um homem e uma mulher de Deus
Mas, quando menos esperava, minha irmã mais velha soltou um grito, assustada talvez por me ver montada em um cavalo tão grande, tão maior do que nós duas juntas. E, então, para completo desespero de minha mãe, que quase morreu do coração, Raio-Vespertino saiu em disparada, atravessando como um relâmpago castanho o quintal de nossa casa. Meu Deus, eu era todo coração naquele momento. Podia sentir até a vibração de cada moleculazinha de ar que meu corpo afastava. Sem saber o que fazer, agarrei-me instintivamente com toda a força que pude nos arreios, já que meus pés não alcançavam os estribos. Dizia em mim mesma que meu pai era um doido, ao mesmo tempo que o adorava de paixão. Apiedava-me de minha mãe – coitadinha! -, enquanto brigava e venerava minha irmã por aquele grito. E podia adivinhar o sorriso de meu pai ao assistir aquela cena! Eu era a gratidão e a vida em arrebatamento galopante!
Raio-Vespertino foi ganhando velocidade e saltou sobre a pequena cerca, ganhando as ruas. Voei com aquele salto e o vento cortou-me por todos os lados de meu corpo, mas consegui segurar firme e cair de volta, quase estirada, sobre a cela de Raio-Vespertino. Recompus-me com esforço e à medida que ia ganhando estabilidade e confiança, apesar de sentir o medo quase irrompendo de minha pele, comecei a vivenciar tudo aquilo com maior concentração. Mas de uma atenção líquida, volátil – onírica. Os arbustos e as flores passavam velozes sobre mim, dando-me a impressão de estar em um túnel de cores e luz. Percebi que por dois ou três segundos eu tinha estado com os olhos fechados de puro susto. No entanto, tais eram os meus sentimentos, que devo ter continuado a viver Raio-Vespertino com a mesma intensidade e realidade independentemente dos meus olhos estarem abertos ou não. Eu era imaginação e ação correndo de mãos dadas, voando sobre a terra em direção às nuvens. Era coração e mente dando rodopios de felicidade e temor. Era a vida explodindo em vida e mais vida. Uma menina montada em um deus chamado Raio-Vespertino.
Agora sim, com os pés agarrados em suas costelas, mantinha-me em equilíbrio. Conseguia ver cada coisinha no seu detalhe, ao mesmo tempo em que sentia a profunda emoção de voar em Raio-Vespertino. Observei de longe os camponeses trabalhando, a colina que dava para o mar e prosseguia tendo o ritmo de meu coração influenciado pelos cascos que batiam estrondosos no chão de terra. De repente, deu-me uma vontade louca. Mas ela me causava tanto, mas tanto prazer, tanta sensação de liberdade e até mesmo fervor estético, que mesmo sem pensar nisso, dei-me ao luxo de entregar-me a este ato: abracei Raio-Vespertino com as pernas, com força e determinação, soltei as minhas mãos dos arreios e pouco a pouco, como um pássaro que até então nunca antes havia se lançado aos ares, fui abrindo os braços, lenta, lentamente, com medo e com coragem, com angústia e esperança, com tremor e libertação, até que, quando um raio de luz brilhou em meus olhos, desabrochei! Abri-me completamente, vitoriosa, gloriosa, voando em cima de Raio-Vespertino, de coração solto, um imenso sorriso, grande como um arco-íris, os braços abertos, as mãos fechadas, pela garra e pela aflição. Meu coração derramava-se em luz, faiscava emoção, ardia em paixão, explodia como uma estrela. Soltei um grito! Alto, bem alto. E fechei os olhos – não mais pelo susto, mas pela confiança. De olhos fechados, gargalhava sonoramente pelos ares, com o peito aberto, o coração resplandecente, o ar fluindo por todas as partes de meu corpo, plenamente oxigenada, soberbamente livre. Ria com todo o meu ser, gritava com todo o ar de meus pulmões só para, em seguida, manter-me em um silêncio absolutamente redentor. De olhos fechados, lançando lágrimas ao vento como sementinhas cristalinas, eu era a vida cavalgando, uma semente real lançada aos ares, plena e nula, silêncio e explosão. Cada batida de meu coração era uma eternidade. E cada espaço de tempo entre uma e outra – mais uma eternidade. Quando dei por mim, estava quase em pé, brilhando alegria para todos os lados.
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mais forte que o trovão quando os princípios estão em jogo"
Definição védica de um homem e uma mulher de Deus
Mas, quando menos esperava, minha irmã mais velha soltou um grito, assustada talvez por me ver montada em um cavalo tão grande, tão maior do que nós duas juntas. E, então, para completo desespero de minha mãe, que quase morreu do coração, Raio-Vespertino saiu em disparada, atravessando como um relâmpago castanho o quintal de nossa casa. Meu Deus, eu era todo coração naquele momento. Podia sentir até a vibração de cada moleculazinha de ar que meu corpo afastava. Sem saber o que fazer, agarrei-me instintivamente com toda a força que pude nos arreios, já que meus pés não alcançavam os estribos. Dizia em mim mesma que meu pai era um doido, ao mesmo tempo que o adorava de paixão. Apiedava-me de minha mãe – coitadinha! -, enquanto brigava e venerava minha irmã por aquele grito. E podia adivinhar o sorriso de meu pai ao assistir aquela cena! Eu era a gratidão e a vida em arrebatamento galopante!
Raio-Vespertino foi ganhando velocidade e saltou sobre a pequena cerca, ganhando as ruas. Voei com aquele salto e o vento cortou-me por todos os lados de meu corpo, mas consegui segurar firme e cair de volta, quase estirada, sobre a cela de Raio-Vespertino. Recompus-me com esforço e à medida que ia ganhando estabilidade e confiança, apesar de sentir o medo quase irrompendo de minha pele, comecei a vivenciar tudo aquilo com maior concentração. Mas de uma atenção líquida, volátil – onírica. Os arbustos e as flores passavam velozes sobre mim, dando-me a impressão de estar em um túnel de cores e luz. Percebi que por dois ou três segundos eu tinha estado com os olhos fechados de puro susto. No entanto, tais eram os meus sentimentos, que devo ter continuado a viver Raio-Vespertino com a mesma intensidade e realidade independentemente dos meus olhos estarem abertos ou não. Eu era imaginação e ação correndo de mãos dadas, voando sobre a terra em direção às nuvens. Era coração e mente dando rodopios de felicidade e temor. Era a vida explodindo em vida e mais vida. Uma menina montada em um deus chamado Raio-Vespertino.
Agora sim, com os pés agarrados em suas costelas, mantinha-me em equilíbrio. Conseguia ver cada coisinha no seu detalhe, ao mesmo tempo em que sentia a profunda emoção de voar em Raio-Vespertino. Observei de longe os camponeses trabalhando, a colina que dava para o mar e prosseguia tendo o ritmo de meu coração influenciado pelos cascos que batiam estrondosos no chão de terra. De repente, deu-me uma vontade louca. Mas ela me causava tanto, mas tanto prazer, tanta sensação de liberdade e até mesmo fervor estético, que mesmo sem pensar nisso, dei-me ao luxo de entregar-me a este ato: abracei Raio-Vespertino com as pernas, com força e determinação, soltei as minhas mãos dos arreios e pouco a pouco, como um pássaro que até então nunca antes havia se lançado aos ares, fui abrindo os braços, lenta, lentamente, com medo e com coragem, com angústia e esperança, com tremor e libertação, até que, quando um raio de luz brilhou em meus olhos, desabrochei! Abri-me completamente, vitoriosa, gloriosa, voando em cima de Raio-Vespertino, de coração solto, um imenso sorriso, grande como um arco-íris, os braços abertos, as mãos fechadas, pela garra e pela aflição. Meu coração derramava-se em luz, faiscava emoção, ardia em paixão, explodia como uma estrela. Soltei um grito! Alto, bem alto. E fechei os olhos – não mais pelo susto, mas pela confiança. De olhos fechados, gargalhava sonoramente pelos ares, com o peito aberto, o coração resplandecente, o ar fluindo por todas as partes de meu corpo, plenamente oxigenada, soberbamente livre. Ria com todo o meu ser, gritava com todo o ar de meus pulmões só para, em seguida, manter-me em um silêncio absolutamente redentor. De olhos fechados, lançando lágrimas ao vento como sementinhas cristalinas, eu era a vida cavalgando, uma semente real lançada aos ares, plena e nula, silêncio e explosão. Cada batida de meu coração era uma eternidade. E cada espaço de tempo entre uma e outra – mais uma eternidade. Quando dei por mim, estava quase em pé, brilhando alegria para todos os lados.
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